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domingo, 15 de dezembro de 2013

AUTOMEDICAÇÃO – UM HÁBITO BRASILEIRO


            A automedicação já é um hábito do brasileiro e está enraizado na cultura do país. Quando se trata de cuidados com a voz não é diferente. Um trabalho sobre hábitos de saúde vocal identificou o uso de sprays, mistura de mel com limão, chás caseiros, pastilhas e própolis. Outras pesquisas citadas neste trabalho apontaram índices altos de profissionais que se automedicam consumindo pastilhas, o que não é indicado em nenhum momento.
Nesta pesquisa de Juliana Rech e Cristiane Cervelli também os gargarejos foram mencionados pelos entrevistados, 30 atores e 30 cantores, de ambos os sexos e com idades que variaram de 21 a 59 anos. Eles afirmaram fazer uso do gargarejo ou com água e limão, vinagre, sal ou bicabornato.


Segundo a professora e fonoaudióloga Marta Assumpção de Andrada e Silva, no capítulo 10, sobre Saúde Vocal do livro Fundamentos em Fonoaudiologia – tratando os distúrbios da voz, 2003, a grande maioria das pessoas conhece um “bom medicamento” ou uma “boa receita caseira”. Andrada e Silva afirma que a grande maioria dos medicamentos causa alteração no trato vocal. Da mesma forma as receitas caseiras indicadas para melhorar a voz possuem, ainda, ação desconhecida para as pregas vocais, podendo, em determinados casos, apresentar efeitos secundários desfavoráveis.

Fonte: TCC – Hábitos de Saúde Vocal: comparação entre um grupo de atores e cantores profissionais de Juliana Rech e Cristiane Cervelli, 2010.  

domingo, 3 de novembro de 2013

Hábitos de saúde vocal


Uma pesquisa realizada com pessoas de 19 a 59 anos e que usam a voz de forma contínua e intensamente no desenvolvimento das atividades, demonstrou que esses profissionais nem sempre tomam os cuidados necessários para a manutenção do bem estar vocal.

Foi aplicado um questionário de identificação de hábitos de saúde vocal* em 60 pessoas de dois grupos: 30 atores que trabalham com teatro (adulto ou infantil) e 30 cantores de gêneros variados – MPB, samba, sertanejo, country e erudito.




Na foto atores que participaram da pesquisa: André Apolinário, Charlene Chagas e Ivo Tirone na apresentação da peça infantil Macaco Zebrado.   

 A maioria não era tabagista (mais de 80%), mas a ingestão alcoólica foi referida por mais de 50% dos entrevistados que fazem uso de diferentes tipos de bebidas. Também o uso de pastilhas ou sprays é um hábito entre eles (mais de 50%) e prevalece o uso de própolis.
A pesquisa indicou também que não usam gengibre ou mel como hábitos de saúde vocal. Já a maça é bastante consumida por mais de 80 por cento dos profissionais abordados neste trabalho. A grande maioria conhece os benefícios da fruta para as cordas vocais.
Tanto atores como cantores se preocupam com a hidratação, bebendo água regularmente.  Também fazem o aquecimento vocal antes do uso intenso da voz, indicando conhecimento e conscientização.  Eles citam os exercícios de vibração de língua, ressonância, respiração, escala vocal e trava língua.



          Na foto os atores Ednei Veiga e Juliana Rech. Peça infantil Bernardo e Bianca.
  
Já no universo dos professores e teleoperadores, de acordo com a literatura, o aquecimento vocal ainda não é um hábito, o que tem prejudicado muito esses profissionais da voz.
Entre os atores e cantores, a atividade de desaquecimento, depois do uso da voz, não é um hábito. Apenas uma pequena parcela dos entrevistados fazem os exercícios indicados para isso.
Observou-se ainda que ao perceberem alterações na voz, atores e cantores não procuram um fonoaudiólogo. Uma minoria toma a iniciativa de procurar profissionais da área médica, como por exemplo, um otorrino.  Eles fazem repouso vocal e preferem a automedicação.



                  Foto da atriz cantora Juliana Rech. Peça infantil Macaco Zebrado.

 Os cantores populares, especialmente, acreditam em terapias caseiras milagrosas como beber uns goles de bebidas destiladas antes de cantar para aquecer.  Há também muitos equívocos com relação ao uso de pastilhas, mel e gengibre para o bem estar vocal.
A pesquisa concluiu que, mesmo com resultados muito próximos, os atores possuem hábitos melhores que os cantores. O fato dos atores passarem por oficinas de teatro e cursos de artes cênicas enriquece este grupo. O ator recebe informações sobre saúde vocal e aprende técnicas, muitas vezes com a presença de um fonoaudiólogo.
Entre os cantores, com raras exceções, não existe a presença de um profissional da Fonoaudiologia, assim como não se faz um tratamento de prevenção a distúrbios da voz.

* Questionário de Identificação de hábitos de Saúde Vocal em Profissionais da Voz do Ambulatório de Hábitos Vocais da ISCMSP (Andrada e Silva, Duprat – 2010).
Fonte: Hábitos de Saúde Vocal: comparação entre um grupo de atores e cantores profissionais – TCC Trabalho de Conclusão de Curso de Juliana Rech e Cristiane 

sábado, 28 de setembro de 2013

                                                                   DISLEXIA

* Dislexia = do grego dis (distúrbio) + lexia (linguagem).

            A dislexia é um distúrbio neurológico que afeta a leitura e a escrita.
            Desde muito cedo é possível observar alguns sinais indicativos da dislexia, como por exemplo a dificuldade de coordenação motora para amarrar um calçado. Também as limitações para aprender a falar e andar devem ser considerados. Mais tarde esse distúrbio irá afetar a leitura e a escrita.
            Entretanto afirmam os especialistas em neurologia que fazer o diagnóstico não é simples. É preciso ter muito cuidado na avaliação que deve ser feita por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais da fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia, neurologia e muitas vezes da psiquiatria. É importante também a participação da família com informações e histórico do paciente.
            A  presença do fonoaudiólogo é fundamental, pois cabe a este profissional avaliar a capacidade do paciente em transpor a fala para a escrita e vice-versa, a atenção, a memória, organização espacial e compreensão auditiva.
            A troca de letras ou sílabas, vocabulário muito pobre, sobretudo na escrita e a dificuldade de leitura são características dos disléxicos. Essas pessoas não conseguem soletrar corretamente, trocam ou omitem letras e invertem sílabas. 
                   


            CEGUEIRA VERBAL
           
            A dislexia já foi chamada de cegueira verbal, devido às circunstância da sua descoberta. Em 1890, um paciente procurou um oftalmologista porque não conseguia ler. Mas segundo a avaliação do médico, a visão do paciente estava perfeitamente normal. Mais tarde foram encontradas evidências biológicas para esse distúrbio.
            O assunto é polêmico, entretanto na área médica permanecem algumas afirmações animadoras: a dislexia melhora com uma terapia adequada e estratégias de compensação. Programas de computador, corretores ortográficos podem auxiliar o disléxico a superar suas limitações. E na medida em que ultrapassam as barreiras podem ser brilhantes.


DISLÉXICO FAMOSO

            Tom Cruise - o ator supera suas dificuldades, decorando suas falas com auxílio de um gravador.
            Einstein - Acreditam os especialistas que o alemão Albert Einstein era disléxico, diante de algumas características como não falar até os 4 anos e não conseguir ler até os 9 anos. Mas ao se dedicar à física, Einstein causou uma verdadeira revolução, usando sua excepcional criatividade.





            COMO IDENTIFICAR A DISLEXIA

            a) Sinais antes da alfabetização:
           
            * Coordenação motora (grossa) - dificuldade para se vestir, fazer ginástica ou  chutar uma bola.
            * Coordenação motora (fina) - dificuldade para pintar dentro de um espaço delimitado por um desenho.
            * Montagem de quebra-cabeça - dificuldade para montagens, mesmo os mais  simples.
            * Atraso no desenvolvimento da fala.
            * Dificuldade em decorar músicas.
            * Confusão entre esquerda e direita.

            b) Sinais na idade escolar:
           
            * Troca de letras com "B" pelo "D"
            * Letra quase ilegível.
            * Omissão de letras nas palavras.
            * Dificuldade para decorar as letras do alfabeto ou a tabuada.
            * Déficit de memória: não consegue gravar números. Ex: de telefone.
            * Dificuldade em pronunciar palavras longas. Ex: paralelepípedo.
            * Vocabulário pobre para a idade.
            * Ótimo desempenho em provas orais, não compatível com as notas baixas das provas escritas.


            TRATAMENTO
           
            O tratamento não é feito com remédios e sim através do aprendizado. Esse processo irá auxiliar a criança a desenvolver estratégias para superar as dificuldades uma vez que não há possibilidade de cura. Mesmo assim os disléxicos entram na universidade e se realizam profissionalmente por terem excelente memória auditiva e visual e o intelecto normal.

Fontes:
Revista Comunicar - 2012
Revista Galileu - ago 1999
Revista Quanta - 2012
           
                   

domingo, 31 de março de 2013

Rouquidão


A Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia faz um alerta:

            * o abuso vocal em ambientes com muito ruído podem causar rouquidão.

            * rouquidão por mais de 15 dias pode ser um problema sério.

            * rouquidão nas crianças não é normal.

            * rouquidão nas crianças tem tratamento.

            * nódulos podem ser a causa de rouquidão, também na infância.  



Nódulos

            Os nódulos, conhecidos como calos nas pregas vocais, podem ser a causa de rouquidão na infância.

            O nódulo é uma inflamação na mucosa que remete a prega vocal.

            O uso inadequado da voz, usando muita força ou tencionando o pescoço, provoca

atrito nas pregas vocais e como consequência uma lesão. Esse mau uso constante não permite a recuperação da mucosa.





Sintomas:

- rouquidão contínua, geralmente por mais de três semanas.

- falhas na voz.

- força para falar.

- tensão na região do pescoço.

- voz soprosa (escape de ar).

            O tratamento de nódulos é feito com terapia fonoaudiológica, acompanhada por um otorrinolaringologista

domingo, 17 de março de 2013

Os caminhos da Fonoaudiologia


A Fonoaudiologia permite ao estudante percorrer diferentes caminhos: audiologia, linguagem e escrita e aprimoramento em voz.

Há pouco mais de uma década a Fonoaudiologia vem ajudando no tratamento estético através de exercícios para suavizar marcas de expressão no rosto.



CUIDADOS COM A VOZ

LESÕES NAS PREGAS VOCAIS PODEM SER IRREVERSÍVEIS por Leci Rech
"Como qualquer atleta, o cantor deveria aquecer a sua prega vocal que é um músculo"
Seis shows por semana, de quinta a domingo. O cantor não aguentou a demanda, teve uma lesão na prega vocal e não pode passar por cirurgia. Este é o caso de um cantor, exemplificado por Marta Assumpção de Andrada e Silva, professora e doutora em Comunicação e Semiótica, mas é também a rotina de muitos artis­tas que se submetem a uma carga pesada de apresentações. Se­gundo a fonoaudióloga, o primeiro problema é o desconhecimento do cantor que não vê a prega vocal como um músculo e como tal precisa ser treinado e cuidado.
A voz é o som produzido pela vibração das pregas vocais, também chamadas de cordas vocais. Dependendo da lesão dessas pregas, o caso pode ser reversível, depender de cirurgia ou se tornar irre­versível. Andrada e Silva diz que na clínica, o cantor procura atendimento por perda ou diminuição da capacidade de produzir tons agudos,rouquidão após o show, dificuldades na respiração para cantar, ar­dor na garganta após o canto, entre outras queixas. "A voz se modifica com o clima, estado emocional, alimentação e com a falta de sono" enfatiza.
 Entre os principais fatores agressores da prega vocal estão o cigarro e o álcool. O cigarro diminui a longe­vidade vocal e faz o fumante perder os agudos. A voz fica mais pe­sada com menos brilho e menos harmônica. Há que se considerar aqui também a pré-disposição do usuário para o câncer. O álcool tem efeito vasodilatador por isso depois da ingestão de uma bebi­da como o conhaque, a sensação é de aquecimento, mas durante a apresentação o cantor sentirá dificuldade nos agudos.
Os cuidados com a alimentação e o sono são também muito importantes. A alimentação deve ser equilibrada, respeitando intervalos. Em dias de shows, o cantor deve evitar frituras, refrigeran­tes, café e lactose (iogurtes, queijo, chocolate). Um sono reparador é aquele com duração de sete a oito horas e de preferência em quar­to ventilado e escuro para que se atinja os dois últimos estágios do sono.
A fonoaudióloga desmistifica algumas crenças populares de profissionais da voz que carregam na bolsa gengibre, pastilhas e sprays de própolis."Não devem ser usados"garante,"somente água e maça".
Um cantor não pode descuidar da boa saúde dental. Mordi­da alterada, por exemplo, repercute no desempenho da voz. Precisa também estar atento com relação às vias aéreas superiores e tratar casos de rinite ou sinusites tão comuns em São Paulo, ressalta.
"Como qualquer atleta, o cantor deveria antes de um show ou mesmo nos ensaios aquecer a sua prega vocal, incluindo alongamentos, exercícios de respiração e articulação, exercícios para a prega vocal que são os de língua, ressonância e por fim os exercícios de vocalize, modulando a voz sobre uma vogai", ressalta Andrada e Silva que considera ideal um aquecimento vocal de dez a quinze minutos, um trabalho que deve ser feito trinta minutos antes de entrar no palco.
Segundo a fonoaudióloga, muitas vezes o desgaste acorre na voz falada, por isso ela sugere ao cantor falar o mínimo possível, não usar o telefone antes da apresentação, assim como não falar alto demais. O desaquecimento também é importante e destaca que deve ser feito com vibração de língua em escala descendente (em erre), mas recomen­da silencio absoluto depois do show durante cinco minutos como repouso vocal.



Santa Casa de Misericórdia de São Paulo faz uma prestação de serviço para cantores e ato­res profissionais. O Ambulatório de Artes Vocais atende pelo SUS nas sextas-feiras. É gratuito. Tel. 8100.5275
            Matéria da jornalista  Leci Rech,  publicada na revista A Sua Cara, nº 2 de 2009.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

                                                 Brasilia - Congresso de Fonoaudiologia 2012.
                                                               Entrevista para  TV local.

A profissão de fonoaudiólogo


A lei 6.965 de 09/12/1981 regulamentou a profissão de Fonoaudiólogo.

Este profissional atua em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia na área da comunicação oral e escrita, voz e audição.

Quase 21 milhões de brasileiros têm problemas de fala, voz ou audição.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 60% dos jovens que sobrevivem aos acidentes de trânsito, ficam com problemas na fala.  A cada ano, cerca de 80 mil pessoas adquirem afasia, que é a dificuldade de falar.

AFASIA

Devido à importância do artigo publicado na revista " A Sua Cara", escrito pela jornalista Leci Rech, estamos levando ao ar a matéria intitulada  Afásicos - a inclusão social através do teatro.