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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

ALFABETIZAÇÃO IMPOSTA

         A sociedade contemporânea está exigindo uma nova postura da escola e dos governos. A avalanche de informações promovida pela tecnologia colocou as crianças num mundo letrado que tem pressa de mudanças. Os governos, através de seus ministérios, ditaram as novas regras às escolas, que por sua vez tratam de alfabetizar os alunos mais cedo. Do outro lado, estão pais angustiados, vendo as crianças que não nem sempre conseguem acompanhar esta evolução.

            Um panfleto distribuído pelo Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia mostra o desenvolvimento da linguagem da criança. Vamos transcrever a partir dos três anos:

3 anos - É possível entender tudo o que a criança fala, mas às vezes ela conjuga errado. 
4 anos – Nesta idade a criança inventa histórias e compreende regras de jogos simples. 
5 anos – A criança consegue formar  frases completas e  já  se  expressa  corretamente. 
6 anos – Aprende a ler e a escrever.


           Luiz Vilanovas, entrevistado pela Folha de São Paulo, afirma que aos cinco anos é normal uma criança não ter desenvolvimento neurológico para a sistematização da linguagem escrita. Aos cinco ou seis anos também é normal a criança não ter maturação motora para uma escrita estável. Poderá, então, diante da cobrança escolar, perder a motivação, ficar estressada, além de se sentir inferior.


            Claudia Giroto, em seu livro, afirma que ler e escrever não se restringe a uma técnica de ensino, mas sim a uma nova modalidade de linguagem. Segundo ela o professor, um agente detector de problemas, muitas vezes atribui rótulos à criança com dificuldades escolares, baseando-se em suas expectativas e a responsabiliza pelo fracasso escolar.

             Segundo Vilanovas, há crianças que se desenvolvem um pouco antes ou um pouco depois e isso não significa uma maior ou menor capacidade intelectual e cognitiva. E se a escola acelera o processo, discriminando uma criança que não consegue alfabetizar, isso será bastante prejudicial.

             O resultado dessas mudanças pode ser visto em consultórios de terapia fonoaudiológica que tem recebido pais angustiados, querendo resolver problemas que ainda não são problemas em crianças mais lentas que vão chegar ao mesmo lugar, mas em tempos diferentes.  

             O papel das escolas, hoje, diante dos novos rumos da educação, é buscar  formas de trabalho para lidar com as crianças em seus diferentes ritmos de desenvolvimento.


Fontes: Livro - Perspectivas atuais da Fonoaudiologia na escola – Claudia R. Mosca Giroto    Folha de S.Paulo, 04/12/2008, entrevista c/Luis Pereira Vilanovas – Neurologia da Unifesp