A sociedade contemporânea
está exigindo uma nova postura da escola e dos governos. A avalanche de
informações promovida pela tecnologia colocou as crianças num mundo letrado que
tem pressa de mudanças. Os governos, através de seus ministérios, ditaram as novas
regras às escolas, que por sua vez tratam de alfabetizar os alunos mais cedo. Do
outro lado, estão pais angustiados, vendo as crianças que não nem sempre
conseguem acompanhar esta evolução.
Um panfleto distribuído pelo Sistema
de Conselhos de Fonoaudiologia mostra o desenvolvimento da linguagem da
criança. Vamos transcrever a partir dos três anos:
3 anos - É
possível entender tudo o que a criança fala, mas às vezes ela conjuga errado.
4
anos – Nesta idade a criança inventa histórias e compreende regras de jogos
simples.
5 anos – A criança consegue formar
frases completas e já se
expressa corretamente.
6 anos –
Aprende a ler e a escrever.
Luiz Vilanovas, entrevistado pela
Folha de São Paulo, afirma que aos cinco anos é normal uma criança não ter
desenvolvimento neurológico para a sistematização da linguagem escrita. Aos
cinco ou seis anos também é normal a criança não ter maturação motora para uma
escrita estável. Poderá, então, diante da cobrança escolar, perder a motivação,
ficar estressada, além de se sentir inferior.
Claudia Giroto, em seu livro, afirma
que ler e escrever não se restringe a uma técnica de ensino, mas sim a uma nova
modalidade de linguagem. Segundo ela o professor, um agente detector de
problemas, muitas vezes atribui rótulos à criança com dificuldades escolares,
baseando-se em suas expectativas e a responsabiliza pelo fracasso escolar.
Segundo Vilanovas, há crianças que se
desenvolvem um pouco antes ou um pouco depois e isso não significa uma maior ou
menor capacidade intelectual e cognitiva. E se a escola acelera o processo,
discriminando uma criança que não consegue alfabetizar, isso será bastante prejudicial.
O resultado dessas mudanças pode ser visto em consultórios
de terapia fonoaudiológica que tem recebido pais angustiados, querendo resolver
problemas que ainda não são problemas em crianças mais lentas que vão chegar ao
mesmo lugar, mas em tempos diferentes.
O papel das escolas, hoje, diante dos novos
rumos da educação, é buscar formas de trabalho
para lidar com as crianças em seus diferentes ritmos de desenvolvimento.
Fontes: Livro -
Perspectivas atuais da Fonoaudiologia na escola – Claudia R. Mosca Giroto Folha de S.Paulo, 04/12/2008, entrevista
c/Luis Pereira Vilanovas – Neurologia da Unifesp



Parabéns excelente conteúdo. Bjo
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